Ter um animal de estimação pode fazer diferença na maneira como uma pessoa organiza o dia, especialmente durante períodos de solidão, luto ou desânimo. A convivência com cães e gatos oferece companhia, estimula atividades cotidianas e cria responsabilidades que podem contribuir para o bem-estar emocional dos tutores.

Além do vínculo afetivo, os cuidados necessários com os animais estabelecem compromissos diários. Alimentação, higiene, brincadeiras e passeios passam a fazer parte da rotina e podem funcionar como estímulos para pessoas que enfrentam dificuldades para realizar tarefas habituais.

Segundo Maisa Colombo Lima, coordenadora do curso de Psicologia da Estácio, essa relação pode favorecer a organização pessoal e proporcionar experiências de afeto e pertencimento.

“A convivência com um pet pode trazer mudanças muito positivas para o cotidiano. O animal passa a fazer parte da rotina, da organização da casa e da vida afetiva da pessoa. Existe também uma troca afetiva muito importante, porque ele responde à nossa presença, busca proximidade, demonstra confiança e cria uma relação de vínculo”, explica.

Cuidados com os pets podem estimular novas atividades

Na psicologia, a chamada ativação comportamental é uma estratégia utilizada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para incentivar a realização de atividades associadas ao prazer, à satisfação e à retomada de hábitos.

Nesse contexto, as responsabilidades com um animal podem ajudar pessoas que estão passando por momentos emocionalmente difíceis a estabelecer pequenas metas cotidianas.

“Às vezes, a pessoa não consegue pensar em grandes atividades naquele momento, mas consegue levantar-se para colocar água para o cachorro, alimentá-lo ou fazer uma pequena caminhada”, observa Maisa.

Entre os idosos, a presença de um pet pode ser especialmente benéfica em situações de isolamento social, aposentadoria, afastamento dos filhos ou perda de familiares.

Os passeios com cães, por exemplo, podem criar oportunidades para sair de casa, praticar exercícios leves e conversar com outras pessoas. Essas experiências ajudam a manter o contato com o ambiente e a preservar vínculos sociais.

Para as crianças, a participação nos cuidados com os animais também pode contribuir para o desenvolvimento da empatia, da autonomia e da responsabilidade, desde que exista supervisão de adultos.

Horários regulares também favorecem o comportamento dos animais

A organização dos cuidados não beneficia apenas os tutores. Para cães e gatos, manter uma rotina compatível com suas necessidades pode proporcionar maior previsibilidade e favorecer uma convivência equilibrada.

Gizelly Bandeira, docente de Medicina Veterinária da Estácio, explica que a regularidade na alimentação, nos passeios e em outras atividades ajuda os animais a compreenderem os hábitos da casa.

“Quando você organiza o horário de alimentação e o horário de passeio, o animal começa a se acostumar com aquela sequência. Isso também ajuda na educação, porque ele passa a entender os momentos de fazer suas necessidades e de sair de casa”, explica.

A ausência de uma rotina adequada pode contribuir para alterações comportamentais, incluindo ansiedade e agitação excessiva.

Entre os cães, comportamentos como destruir objetos, apresentar agitação intensa durante os passeios ou fazer as necessidades fora dos locais habituais merecem atenção dos tutores.

A veterinária relata que acompanha casos de pessoas, principalmente idosos, que passaram a encontrar nos animais uma motivação adicional para manter atividades e cuidar da própria saúde.

“É muito comum ouvir de tutores que hoje eles têm um motivo para acordar e cuidar de si mesmos, porque sabem que o animal depende deles. Essa relação acaba estimulando uma rotina e uma responsabilidade que fazem bem aos dois”, afirma.

Apego excessivo pode prejudicar a saúde emocional

Apesar das vantagens da convivência, especialistas destacam que a presença de um animal não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário.

Maisa explica que os pets podem oferecer apoio emocional, mas o relacionamento não deve se transformar em uma fonte constante de preocupação, culpa ou sofrimento.

Evitar encontros familiares, abandonar compromissos e sentir ansiedade intensa ao permanecer algumas horas longe do animal são comportamentos que podem indicar uma relação de dependência emocional excessiva.

“Eu costumo pensar em uma pergunta bastante simples: essa relação está ampliando ou está restringindo a vida da pessoa?”, questiona a psicóloga.

A convivência saudável envolve considerar tanto as necessidades emocionais dos tutores quanto as condições de bem-estar dos animais, sem que os cuidados comprometam outras áreas da vida.

Para Gizelly, o respeito às características e limitações de cada um é fundamental para manter essa relação.

“O benefício principal é uma troca. É um respeitar os hábitos, as necessidades e as limitações do outro, tanto do humano quanto do pet. Esse respeito é o mais saudável”, conclui.