Às vésperas do período de maior risco de queimadas, Brasil e Bolívia ampliaram a cooperação para enfrentar incêndios florestais no Pantanal. Mais de 60 militares da Armada Boliviana participaram, em Corumbá, de uma capacitação promovida pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), voltada ao aperfeiçoamento das ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida em áreas de fronteira.

A iniciativa busca integrar protocolos operacionais e ampliar a atuação conjunta entre os dois países em uma região onde o fogo pode se espalhar rapidamente, independentemente dos limites territoriais.

Treinamento priorizou resposta rápida aos incêndios

A formação somou 16 horas de atividades práticas e teóricas, envolvendo oficiais e sargentos que atuam diretamente em operações de campo.

Durante o treinamento, os participantes receberam instruções sobre ferramentas tecnológicas capazes de identificar focos de incêndio ainda nos estágios iniciais. Entre os recursos apresentados estão plataformas que utilizam Inteligência Artificial para detectar colunas de fumaça e alterações de temperatura em poucos minutos, permitindo o acionamento antecipado das equipes de combate.

A programação também contemplou o alinhamento de protocolos de emergência e oficinas sobre resgate de animais silvestres afetados por incêndios.

A primeira etapa da capacitação foi realizada em maio com oficiais da Armada Boliviana. Já o treinamento dos sargentos ocorreu nesta quinta-feira (23), em Corumbá.

Cooperação entre os países fortalece combate ao fogo

Para o diretor do Centro de Formação de Bombeiros Florestais da Armada Boliviana, capitão de fragata José Martin Torrico Bravo, a qualificação dos militares é essencial para ampliar a capacidade de resposta diante dos eventos extremos.

"Há uma importância fundamental nessa troca de conhecimento e aperfeiçoamento dos militares da Armada Boliviana que estão realizando a formação de bombeiros florestais. Nossa intenção é que eles estejam muito bem preparados para atuarem em situações de emergência, e atentos para poderem atuar em conjunto com instituições brasileiras, caso seja necessário."

O presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, destacou que incêndios florestais exigem integração permanente entre os países vizinhos.

"O fogo não reconhece limites territoriais ou linhas de fronteira. A resposta aos desastres ambientais no Pantanal exige união de esforços, tecnologia compartilhada e capacitação continuada para que as equipes dos dois países atuem em sincronia na proteção da biodiversidade e das comunidades."

Além do treinamento promovido pelo IHP, os militares bolivianos também participam de atividades de intercâmbio com equipes do Prevfogo/Ibama e do 3º Grupamento de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, ambos sediados em Corumbá.

Alerta para aumento do risco de queimadas

A capacitação ocorre em um momento de atenção para o Pantanal. Segundo nota técnica divulgada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o segundo semestre de 2026 poderá ser marcado pela influência do fenômeno El Niño, com maior risco de calor intenso, baixa umidade e condições favoráveis à propagação de incêndios na região central do Brasil.

As projeções indicam que o período entre agosto e outubro concentra o maior potencial para o agravamento das queimadas, cenário que reforça a necessidade de fortalecer ações preventivas e de resposta rápida entre as instituições brasileiras e bolivianas.

Foto da galeria IHP