Durante dois dias, o céu de diferentes regiões do Brasil, Bolívia e Paraguai será observado em busca de uma das aves mais emblemáticas da América do Sul. Nos dias 1º e 2 de agosto de 2026, acontece a segunda edição do Big Day das Araras-Azuis, mobilização internacional criada pelo Instituto Arara Azul para reunir o maior número possível de registros da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) vivendo em seu habitat natural.
A iniciativa pretende transformar moradores de áreas de ocorrência da espécie, pesquisadores, turistas, observadores de aves e qualquer pessoa interessada em conservação ambiental em participantes de um grande levantamento coletivo. A proposta é descobrir onde estão as araras-azuis, quantos indivíduos podem ser registrados e ampliar o conhecimento científico sobre a distribuição da espécie.
Segundo Fernanda Fontoura, bióloga, gestora operacional de projetos do Instituto Arara Azul e uma das organizadoras do evento, a campanha nasceu de uma necessidade científica: atualizar informações sobre uma espécie que ainda possui lacunas de conhecimento em algumas regiões.
“O Big Day das Araras Azuis é a maior mobilização para a contagem da arara-azul-grande em seu ambiente natural. O principal objetivo é envolver todas as pessoas, independente de idade, sexo ou profissão, para que elas participem da contagem desses animais na natureza”, explicou.
Mobilização amplia monitoramento da espécie
O Instituto Arara Azul atua há mais de três décadas na conservação da arara-azul-grande, com sede em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e projetos desenvolvidos em diferentes biomas.
O principal trabalho da organização é o Projeto Arara Azul, que possui frentes de atuação no Pantanal Norte, Pantanal Sul, Cerrado e Pará, na região amazônica. A instituição também mantém ações de educação ambiental e projetos voltados para outras espécies, como as araras-canindé em áreas urbanas de Campo Grande.
Fernanda destaca que a contagem coletiva surgiu para ampliar um trabalho que antes era realizado de forma mais restrita por equipes científicas em pontos específicos.
“Essa dúvida existe não só em relação às araras, mas com diversas espécies que ocorrem nos nossos biomas: quantos bichos tem daquela espécie? Esse número é muito importante para saber se ela está ameaçada, qual o grau de ameaça e como está sua situação na natureza”, afirmou.
A iniciativa também está alinhada ao Plano de Ação Nacional para a Conservação da Espécie, que busca estratégias para garantir a proteção da arara-azul-grande.
Primeira edição reuniu registros em vários estados
Realizado pela primeira vez em 2025, o Big Day das Araras-Azuis contou com participação internacional e surpreendeu os pesquisadores pelo envolvimento das comunidades.
Mato Grosso do Sul foi o estado com maior número de registros, resultado que, segundo Fernanda, está relacionado ao engajamento dos moradores e grupos de observação de aves.
“Foi principalmente porque tivemos equipes em campo e porque a galera de Mato Grosso do Sul é muito envolvida com a observação de aves. Temos parceiros incríveis, como o Instituto Mamede, que consegue mobilizar grupos de observadores e moradores locais”, contou.
O Mato Grosso ficou em segundo lugar no número de registros, com participação de proprietários rurais que saíram em busca das aves dentro de suas áreas.
“Pessoas que têm propriedades pegaram o carro e saíram contando as araras. Isso foi muito importante para esse resultado”, destacou a bióloga.
O Pará também teve papel importante na campanha, com mobilização de comunidades locais e contagens realizadas inclusive em dormitórios, locais onde as aves costumam se reunir para passar a noite.
Outras regiões também participaram, como Goiás, onde grupos de observadores foram a campo. Fernanda explica que os registros negativos também fazem parte da pesquisa.
“Muitas vezes as pessoas pensam: só vou mandar registro onde teve arara-azul. Mas a ausência também é um dado importante. Se uma pessoa foi a campo, fez o esforço de observação e não encontrou a espécie, essa informação ajuda a entender mudanças na distribuição da ave”, afirmou.
Segunda edição busca alcançar novas regiões
Apesar da mobilização de 2025, alguns estados onde há ocorrência conhecida da arara-azul-grande não tiveram registros enviados ao Instituto.
Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia e Minas Gerais estão entre as regiões que terão atenção especial nesta edição. A expectativa é ampliar a participação nesses locais e preencher lacunas sobre a presença da espécie.
“Queremos alcançar esses estados e essas pessoas. Também esperamos aumentar os registros em Goiás e Minas Gerais e ampliar ainda mais a participação nos locais onde já tivemos contagens”, explicou Fernanda.
A coordenadora reforça que a participação não depende de equipamentos específicos ou conhecimento técnico. Crianças, adultos e idosos podem contribuir.
“Todos podem participar do Big Day das Araras Azuis, de zero a 130 anos. A pessoa pode ir para a natureza ou observar do quintal da própria casa, porque em algumas regiões as araras aparecem nesses locais”, disse.
Registros podem ser enviados pelo celular
Durante os dias da campanha, qualquer avistamento de arara-azul-grande poderá ser compartilhado com o Instituto Arara Azul. O participante pode enviar fotos, vídeos, áudios ou informações sobre a observação.
Os registros serão recebidos por plataformas de ciência cidadã como eBird, WikiAves e Biofaces, além de formulário oficial e WhatsApp da campanha (67) 9987-10752.
“Às vezes a pessoa não tem celular, mas pode pedir ajuda para um filho, um neto ou alguém da família. O importante é conseguir esse registro para participar da contagem”, afirmou Fernanda.
A equipe do Instituto Arara Azul estará de plantão durante todo o período da campanha para receber os dados enviados pelos participantes.
O Big Day das Araras-Azuis acontece nos dias 1º e 2 de agosto, um sábado e domingo, reunindo ciência, tecnologia e participação popular para construir um retrato mais atualizado da maior arara do mundo.