Os bares e restaurantes encerraram junho com reajustes abaixo da inflação oficial do país, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,15% no mês, enquanto o índice geral ficou em 0,16%. O comportamento dos preços, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), reflete uma estratégia do setor para aproveitar o aumento da demanda e estimular o consumo.
Movimento maior motivou estratégia dos empresários
Junho concentrou datas tradicionalmente importantes para o segmento, como o Dia dos Namorados, as festas juninas e eventos que impulsionaram a circulação de consumidores em diversas cidades. Diante desse cenário, muitos empresários optaram por adiar reajustes nos cardápios para tornar os estabelecimentos mais atrativos e ampliar o volume de vendas.
De acordo com o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, a decisão ocorre mesmo com os custos operacionais ainda elevados.
"Os empresários continuam fazendo um grande esforço para segurar os preços. O setor convive há bastante tempo com custos elevados de alimentos, energia, aluguel e mão de obra, mas sabe que o consumidor ainda está sensível a reajustes. Em períodos de maior movimento, como foi o mês de junho, muitas empresas optam por preservar preços competitivos para aumentar o fluxo de clientes. Um salão mais cheio ajuda a fortalecer o faturamento e permite recuperar margens sem depender exclusivamente de aumentos de preços."
Alimentos tiveram queda em junho
Enquanto os preços da alimentação consumida fora de casa avançaram 0,15%, o grupo Alimentação e Bebidas apresentou retração de 0,24% no mês. Segundo a Abrasel, esse cenário ajudou a reduzir parte da pressão sobre os custos enfrentados pelos estabelecimentos, embora despesas como energia, aluguel e mão de obra continuem elevadas.
Acumulado de 12 meses ainda registra alta
Na comparação dos últimos 12 meses, a alimentação fora do domicílio acumula alta de 5,89%, percentual superior à inflação oficial do país, que soma 4,64% no mesmo período. Já o grupo Alimentação e Bebidas registra aumento de 3,82%.
Para a Abrasel, esse resultado está relacionado aos reajustes aplicados no segundo semestre de 2025, quando empresas do setor buscaram recompor parte das margens pressionadas pelos custos.
Férias escolares mantêm expectativa positiva
A associação avalia que a política de preços mais competitivos deve continuar nas próximas semanas. Pesquisa da entidade indica que a maioria dos empresários espera aumento do faturamento durante as férias escolares, período em que a maior circulação de pessoas e o turismo costumam impulsionar o movimento dos estabelecimentos.
Segundo Paulo Solmucci, manter os preços sob controle continuará sendo uma ferramenta para estimular o consumo em um cenário marcado pelo elevado endividamento das famílias.
"Essa é uma estratégia que tende a se repetir para tirar melhor proveito de uma demanda que hoje está ameaçada pelo elevado endividamento das famílias. O consumidor está muito sensível aos aumentos de preços e qualquer reajuste pode influenciar sua decisão de consumo."