Pesquisadores de Singapura e do Japão desenvolveram uma tecnologia que pode ampliar o uso de insetos em missões de busca e resgate. O projeto transforma baratas em "ciborgues anfíbios", capazes de se locomover em ambientes alagados graças a um dispositivo que fornece oxigênio enquanto permanecem submersas. A expectativa é que a inovação facilite a localização de vítimas em áreas atingidas por enchentes, desabamentos e outros desastres.
Mochila permite respiração debaixo d'água
O equipamento foi criado por pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU), em Singapura, em parceria com a Universidade Waseda, no Japão. Produzido em impressora 3D, o dispositivo funciona de forma semelhante a um cilindro de oxigênio em miniatura.
Uma reação química entre peróxido de hidrogênio e dióxido de manganês gera oxigênio continuamente, que é conduzido por pequenos tubos de silicone até os espiráculos — estruturas respiratórias das baratas. Dessa forma, os insetos conseguem permanecer ativos mesmo em ambientes submersos.
Insetos já haviam sido usados em resgates
O uso de baratas controladas remotamente não é novidade na comunidade científica. Há mais de uma década, pesquisadores desenvolvem sistemas capazes de direcionar os movimentos dos insetos por meio de eletrodos ligados ao sistema nervoso.
A principal vantagem em relação aos robôs convencionais é o baixo consumo de energia. Como utilizam a própria musculatura do animal para se locomover, esses sistemas dispensam motores e conseguem atravessar espaços muito estreitos e irregulares com facilidade.
Tecnologia já foi aplicada após terremoto
Segundo os pesquisadores, baratas equipadas com câmeras infravermelhas participaram de operações de busca após o terremoto de magnitude 7,7 que atingiu Mianmar em março de 2025.
As imagens captadas pelos insetos foram analisadas por algoritmos de inteligência artificial para auxiliar equipes na identificação de possíveis sobreviventes sob os escombros. A nova tecnologia amplia esse potencial ao permitir que os insetos atravessem áreas alagadas, onde robôs convencionais encontram dificuldades para operar.
Objetivo vai além dos desastres naturais
Os responsáveis pelo estudo afirmam que a tecnologia também poderá ser adaptada para outros insetos com sistema respiratório semelhante, como besouros e gafanhotos.
Entre as possibilidades estudadas está o desenvolvimento de equipamentos capazes de permitir a exploração de ambientes extremos, incluindo futuras missões espaciais. Um dos pesquisadores chegou a mencionar a criação de uma espécie de "traje espacial" para insetos ciborgues, que poderia ser utilizado em expedições na superfície de Marte.
Apesar dos avanços, os experimentos ainda estão em fase inicial. Até o momento, os testes ocorreram em pequenas profundidades, e a aplicação prática da tecnologia em cenários reais dependerá de novas etapas de desenvolvimento e validação científica.
Via Felipe Espinosa Wang/DW Brasil