Uma viagem para realizar o último desejo de uma drag queen assassinada é o ponto de partida de “Natasha”, filme produzido em Dourados que acaba de conquistar espaço em um dos principais festivais de cinema LGBTQIA+ da América Latina. O longa-metragem dos irmãos Thiago e Rafael Rotta integra a programação do 34º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade, em São Paulo, e concorre ao Troféu Coelho de Prata de Melhor Longa Nacional.

A seleção acontece poucos meses depois de a produção conquistar o prêmio de Melhor Filme Sul-Mato-Grossense no 4º Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano, realizado em agosto. Agora, “Natasha” terá duas exibições na capital paulista, nos dias 14 e 19 de novembro, com a primeira sessão marcando sua estreia no circuito de São Paulo.

O MixBrasil acontece de 11 a 22 de novembro e reúne, nesta edição, 84 produções brasileiras de 16 estados e do Distrito Federal, entre filmes de diferentes durações e séries. “Natasha” participa da mostra POP MIX, com a possibilidade de conquistar uma premiação definida pelos próprios espectadores.

Uma promessa, três amigas e uma viagem pela diversidade

No enredo, Nicole, Inês e Leona decidem prestar uma última homenagem à amiga Natasha, uma drag queen assassinada antes de realizar o desejo de participar do concurso Raio de Sol do Pantanal.

Para cumprir essa promessa, as três embarcam em uma Kombi emprestada e deixam Mato Grosso do Sul em direção a Mato Grosso. Pelo caminho, precisam lidar com preconceitos, conflitos pessoais e descobertas que transformam a viagem em uma jornada de amizade, identidade e pertencimento.

A história começou a ganhar forma em 2017, quando Thiago e Rafael Rotta desenvolveram uma série independente de 13 episódios, com roteiro de Antoni Magalhães.

A transformação do projeto em longa-metragem aconteceu quase uma década depois, em uma adaptação conduzida por Ana Ostapenko, com participação de Kojiro na edição e montagem.

O processo permitiu que uma produção concebida fora dos principais polos cinematográficos do país chegasse a novos espaços de exibição.

Do interior de Mato Grosso do Sul para um festival nacional

Para Thiago Rotta, participar do MixBrasil representa a concretização de uma ambição que parecia distante quando o projeto começou.

“Eu acompanho o MixBrasil há muito tempo. E não tem como fazer cinema de diversidade, ser uma pessoa LGBTQIAPN+ e não sonhar em ter uma obra participando desse festival. Mas é aquele tipo de sonho que nós, do interior, muitas vezes nem ousamos falar em voz alta. Saber que a Natasha chegou até aqui, em meio a tantas produções, torna tudo ainda mais emocionante”, afirma.

O diretor também associa a seleção ao esforço necessário para manter o projeto em desenvolvimento durante tantos anos.

“Natasha passou por muitos desafios e foi uma luta de resistência até chegar a essa forma como longa-metragem. Depois de ganhar o Cinesur, vê-la agora chegando ao MixBrasil é muito emocionante. É ver essa obra encontrando cada vez mais pessoas, quebrando barreiras, resistindo, persistindo, existindo. E existe algo muito LGBTQIAPN+ nisso também: a nossa própria existência muitas vezes é feita dessa resistência”, destaca Thiago.

O reconhecimento é compartilhado pelo roteirista Antoni Magalhães, que acompanha a produção desde sua concepção.

“Quando a gente cria uma narrativa com tanta representatividade, nosso maior objetivo é que essa obra alcance o maior número possível de pessoas. Participar do MixBrasil representa o encerramento de um ciclo para mim, que sempre sonhei em estar nesse festival”, afirma.

Thiago também faz questão de dividir a conquista com os profissionais envolvidos na construção do filme.

“Esse sonho não é só meu. É das pessoas que construíram essa história comigo. Do Rafael, meu irmão, que codirige a Natasha comigo. Do Antoni, que está sempre ao nosso lado e completa essa nossa trinca como roteirista. Da Ana Ostapenko e do Kojiro, que se dedicaram tanto ao desafio de transformar uma série nesse filme tão potente”, reconhece.

Cinema de MS ganha espaço nas telas de São Paulo

Para Ana Ostapenko, responsável pela direção da adaptação, a presença de “Natasha” na programação do festival também representa uma oportunidade para ampliar a visibilidade das produções realizadas no Estado.

“Natasha está voando, isso é muito importante pro cinema feito em Mato Grosso do Sul, para a abertura de mercado e de visões sobre nossas produções, é um orgulho fazer parte da programação de um festival tão importante no nosso país”, destaca.

O reconhecimento no Bonito Cinesur e a seleção para o MixBrasil marcam momentos distintos de uma trajetória iniciada como produção independente e que agora alcança o circuito nacional de festivais.

“Tem um gosto de fim de ciclo e, ao mesmo tempo, de começo de alguma coisa nova. Acho que, depois de tudo, poder olhar para a Natasha chegando ao MixBrasil e dizer ‘conseguimos’ tem um significado que eu ainda estou tentando entender”, conclui Thiago.

Foto da galeria Marithe do Ceu Foto da galeria Marithe do Ceu

Quando e onde assistir a “Natasha”

A primeira apresentação do longa no MixBrasil será no sábado, 14 de novembro, às 19h30, na sala Spcine CCSP Lima Barreto, no Centro Cultural São Paulo.

A segunda sessão está marcada para quinta-feira, 19 de novembro, às 15h30, na sala Spcine CCSP Paulo Emílio, no mesmo espaço cultural.

As duas exibições integram a mostra POP MIX. O filme também disputa o Troféu Coelho de Prata de Melhor Longa Nacional, concedido por votação popular.

Serviço — Festival MixBrasil 2026

  • Filme: Natasha
  • Festival: 34º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade
  • Primeira sessão: 14 de novembro, às 19h30 — Spcine CCSP Lima Barreto
  • Segunda sessão: 19 de novembro, às 15h30 — Spcine CCSP Paulo Emílio
  • Local: Centro Cultural São Paulo — Rua Vergueiro, 1000, São Paulo (SP)


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