A Tesla viu aproximadamente US$ 200 bilhões desaparecerem de seu valor de mercado nesta quinta-feira (23), após divulgar resultados trimestrais que ficaram abaixo das expectativas de analistas. As ações da fabricante de veículos elétricos recuaram cerca de 14% em Nova York, refletindo a preocupação dos investidores com a queda da rentabilidade e a ausência de novas metas para a expansão dos robotáxis.

Embora a empresa tenha alcançado um novo recorde de entregas de veículos e mantido um discurso voltado para inteligência artificial, direção autônoma e robôs humanoides, os números financeiros do trimestre ofuscaram a visão de longo prazo apresentada pelo CEO Elon Musk.

Lucro menor e margens pressionadas

No segundo trimestre, a Tesla registrou receita de US$ 28,24 bilhões, impulsionada pelo crescimento de 25% nas entregas de veículos, que atingiram 480.126 unidades.

Apesar do avanço nas vendas, a companhia encerrou o período com lucro líquido de US$ 1,1 bilhão, queda de 5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O lucro ajustado ficou em US$ 0,33 por ação, abaixo das estimativas do mercado.

A margem bruta recuou para 16,9%, pressionada por fatores como redução do preço médio dos veículos, aumento dos investimentos (Capex) e diminuição das receitas provenientes da venda de créditos regulatórios para outras montadoras.

Outro indicador que chamou a atenção foi o fluxo de caixa livre negativo em US$ 1,1 bilhão, primeira queima de caixa da empresa em mais de dois anos. Os investimentos no período somaram US$ 5,79 bilhões.

Musk aposta no futuro da empresa

Durante a apresentação dos resultados, Elon Musk dedicou boa parte de sua fala aos projetos considerados estratégicos para o futuro da Tesla, deixando os automóveis em segundo plano.

Entre os destaques está o avanço do Full Self-Driving (FSD), sistema de condução autônoma da empresa, que já contabiliza cerca de 12,6 bilhões de milhas percorridas sem um motorista ao volante e aproximadamente 1,5 milhão de assinantes, um crescimento anual de 56%.

O executivo também voltou a destacar a expansão do serviço de robotáxis, embora tenha evitado estabelecer um cronograma para ampliar a operação, o que aumentou a cautela entre investidores.

Optimus e fábrica de chips estão no centro da estratégia

Outro foco da Tesla é o robô humanoide Optimus, apontado por Musk como o produto mais importante da história da empresa e, potencialmente, do mercado de tecnologia.

Segundo o empresário, as primeiras linhas de produção já estão sendo instaladas e a fabricação em escala deve começar em breve.

Para sustentar o crescimento de seus projetos de inteligência artificial, robótica e direção autônoma, a Tesla também trabalha na construção da Terafab, unidade destinada à produção de chips próprios, reduzindo a dependência de fornecedores em um mercado ainda marcado pela escassez de semicondutores.

Mercado reage com cautela

A forte reação negativa dos investidores mostra que, neste momento, o mercado está mais atento aos resultados financeiros do que às promessas de longo prazo.

Mesmo após a perda bilionária registrada em um único pregão, a Tesla continua avaliada em cerca de US$ 1 trilhão, permanecendo como a fabricante automotiva mais valiosa do mundo, com valor superior ao somado das dezenas de montadoras que aparecem logo atrás no ranking.

Com informações TechDrops e CNN