Com a Ponte Internacional de Porto Murtinho em fase final de construção, o candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL) afirmou que a conclusão da obra representa apenas uma etapa do projeto da Rota Bioceânica. Segundo ele, o principal desafio será transformar o corredor internacional em um ambiente favorável para investimentos, geração de empregos e expansão da economia de Mato Grosso do Sul.
As declarações foram feitas durante o Congresso de Gestão Pública, promovido pelo Instituto Ulisses Guimarães, em Campo Grande.
"O maior e mais importante trabalho da Rota Bioceânica é transformar esse caminho em um corredor de desenvolvimento, capaz de gerar investimentos, atrair indústrias, criar empregos e abrir novas oportunidades para a nossa gente", afirmou.
Ponte avança, mas corredor ainda depende de novas etapas
De acordo com Reinaldo, a ponte que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, já ultrapassou 90% de execução e tem previsão de entrega da estrutura principal ainda em 2026. No entanto, ele destacou que o acesso do lado brasileiro será concluído apenas no próximo ano.
Após a finalização das obras e da implantação das medidas operacionais necessárias para o transporte internacional de cargas, a expectativa é que a Rota Bioceânica reduza em até 17 dias o tempo de viagem até os mercados asiáticos e diminua os custos logísticos em até 40%.
Integração entre países é apontada como prioridade
Durante a apresentação, Reinaldo afirmou que a infraestrutura física, por si só, não será suficiente para garantir a competitividade do corredor.
"A Rota Bioceânica é muito mais do que uma estrada. É um corredor logístico internacional que precisa ser construído com integração entre os países, aduanas modernas e integradas, tecnologia, segurança jurídica e a participação ativa dos governos e dos municípios. Concluir o acesso do lado brasileiro é apenas uma parte desse desafio."
O candidato ressaltou ainda que um dos principais obstáculos será a implantação de uma aduana integrada entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Segundo ele, a burocracia nas fronteiras pode comprometer parte das vantagens logísticas oferecidas pela nova rota caso não haja coordenação entre os quatro países.
"É essa construção que o Brasil precisa materializar para fazer da Rota Bioceânica um dos maiores projetos de desenvolvimento da América do Sul", declarou.
Corredor deve impulsionar diferentes regiões de MS
Além de Porto Murtinho, cidade que será a porta de entrada da rota no Brasil, Reinaldo afirmou que o corredor deverá beneficiar municípios distribuídos ao longo da BR-267 e da malha logística estadual.
Entre as regiões citadas estão Campo Grande, que poderá ampliar sua posição como centro logístico de integração com os mercados do Pacífico; Sidrolândia, Nioaque, Maracaju e Guia Lopes da Laguna, apontadas como áreas com potencial para receber novas indústrias e empresas de logística; Jardim, Bela Vista e Bonito, que poderão ampliar atividades ligadas ao turismo e aos serviços; além de Dourados e municípios da região, cuja economia poderá ser favorecida pela expansão das exportações do agronegócio.
Segundo o candidato, o sucesso da Rota Bioceânica dependerá não apenas da conclusão das obras, mas também da criação de um ambiente de cooperação entre os países envolvidos, capaz de garantir agilidade ao transporte internacional e estimular novos investimentos em Mato Grosso do Sul.