Mato Grosso do Sul aplicou um total de R$ 934.024.556,18 em recursos estaduais e federais pagos para ações e serviços em Saúde nos meses de maio, junho, julho e agosto de 2026, de acordo com a prestação de contas do 2º quadrimestre da Secretaria Estadual de Saúde (SES) à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). O evento, realizado nesta sexta-feira (25) no Plenarinho, faz parte do cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Poder Executivo detalhou os gastos à Comissão Permanente de Saúde do Legislativo, em que demonstrou que todas as fontes de recursos somadas (estaduais + federais) foram empenhados R$ 1.011.876.236,01 e liquidados R$ 947.212.732,99. No montante acumulado, que é a soma do 1º quadrimestre com o 2º quadrimestre, totalizaram R$ 1.615.216.746,14 pagos, sendo R$ 2.013.444.945,04 empenhados para o ano até agora. Somente de recursos estaduais foram pagos R$ 1.326.551.942,88 neste ano. 

Na representatividade de desembolso por fonte, 28,07% de despesas correntes foram destinadas para o custeio da Secretaria, como água, luz, locação de máquinas, entre outros e 20,35% de encargos sociais e pessoal. Transferências a instituições privadas sem fins lucrativos somaram 16,99% do montante e os demais somam menos de 2% cada um.

O secretário Estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, participou da audiência e afirmou que as despesas precisam de um ponto de atenção. “Quero destacar que, basicamente, 50% dos recursos são para as despesas para manter a Secretaria. Por isso a importância de ter um melhor controle do nosso custo administrativo, para que restem mais possibilidades de investimentos”, ponderou.

Foi feita uma comparação entre os valores efetivamente pagos do 2º quadrimestre nos últimos três anos:   

Comparativo dos últimos anos. Fonte: SES

Você pode ver a apresentação completa dos slides por este link. Os relatórios detalhados serão entregues até o dia 30 de setembro pela Secretaria de Fazenda ao Ministério da Saúde e esses dados ficam disponibilizados a qualquer cidadão pelas transparências estadual e federal.

Atendimentos hospitalares

Vários servidores da Saúde apresentaram seus relatórios por setor. Segundo a auditoria, foram realizados 7.897.950 procedimentos de saúde estimados pela revisão da produção ambulatorial e 18.429 internações contabilizadas pela revisão da produção hospitalar, número menor do que no quadrimestre passado, que foi justificado pelo secretário de Saúde, Maurício Simões, como um ganho após o programa MS Saúde. “Com o incremento da oferta de procedimentos atendemos uma demanda reprimida, ampliamos vastamente a rede, o que, naturalmente, reduziu a pressão nesse quadrimestre. Essa questão vamos ainda precisamos aprofundar, mas minha impressão inicial é essa”, explicou.

Produção de Saúde em MS. Fonte: SES

Os dados ainda demonstraram que hoje Mato Grosso do Sul tem cadastrados 94 estabelecimentos de saúde, sendo 45 em gestão dupla, com parceria do Estado com os municípios e outros 49 de gestão somente estadual. Os 10 vacimóveis adquiridos do semestre também estão cadastrados nessa soma.

Os profissionais que atendem o Sistema Único em Saúde (SUS) no estado somam 10.174, entre técnicos e auxiliares de enfermagem, médicos clínicos, enfermeiros, médicos especialistas, fisioterapeutas, farmacêuticos e os trabalhadores de manutenção e administrativos. O principal vínculo de trabalho é o estatutário, com 31% destes trabalhadores. Médicos cadastrados somam 39% de vínculos autônomos.

Quanto ao desempenho do Hospital Regional em Campo Grande, a servidora Marielle Esgalha apresentou uma taxa de satisfação do usuário de 73%. “A análise é prejudicada porque envolve a análise da assistência, com índices acima de 90%, mas a infraestrutura está perto de 50%, o que faz com que nosso índice caia. E isso reforça nossa satisfação com a Parceria Público Privada para a recuperação do índice da infraestrutura”, disse. O termo foi assinado no dia 11 de agosto, com transferência da posse direta à Inova Saúde MS S.A, vencedora do leilão, com autorização de crédito externo de US$ 80 milhões pela Resolução nº 34/2026 do Senado Federal.

Quanto à infraestrutura física do Hospital Regional foi apontado um gasto de mais de R$ 11 milhões, sendo pouco mais R$ 3 milhões em recursos federais e outros R$ 7,6 milhões em contrapartidas estaduais, neste quadrimestre. Também foram apresentados investimentos e entregas de equipamentos nos hospitais em Ponta Porã, Dourados, Três Lagoas, Ribas, Corumbá, Naviraí – confira nos slides completos clicando aqui.

Quanto ao trabalho da Central Estadual de Transplantes foram registrados neste quadrimestre um total de 87 transplantes de córneas, 27 de fígado, 78 de rins e quatro de medula óssea. Órgãos captados e não transplantados em Mato Grosso do Sul, mas em outro estado, foram totalizados em dois corações, um pulmão e três rins.

Sobre o Hemosul foram divulgados que, aproximadamente, 6 mil candidatos a doações procuram a unidade por mês, sendo 79,4% deles doadores espontâneos. Foram 1.658 novos cadastros de doadores de medula óssea. Somente nesse quadrimestre a unidade realizou 28 campanhas externas com as unidades móveis.

Em relação à assistência farmacêutica especializada, a SES mantém o abastecimento de medicamentos e insumos nos 79 municípios, com 42.338 pacientes ativos. Quanto aos recursos tecnológicos, 78 municípios mantêm o programa de teleconsulta, apenas Juti ainda em processo de implementação.

Atualmente, Mato Grosso do Sul atende 2.039 pacientes em hemodiálise e 74 pacientes em diálise peritoneal. Quanto ao Programa Nascer Bem foram estimados que 79,4% dos nascidos vivos foram filhos de mães que passaram por sete ou mais consultas de pré-natal. Também foram apresentados dados sobre gestão hospitalar, odontológico e de educação em Saúde.

Quanto aos investimentos, tem previsão de saneamento nas aldeias Guarapirú e Bororó. Ao todo somaram 79 mil cestas básicas entregues de maio a agosto de 2026 à população indígena para reduzir a insegurança alimentar nutricional. Assista a audiência pública completa pelo vídeo abaixo: