As conclusões da perícia sobre o ataque a um posto policial no departamento de Canindeyú, no Paraguai, acrescentaram um novo elemento às investigações. O exame realizado nos corpos de dois agentes da Polícia Nacional indica que ambos já estavam sob controle dos invasores quando receberam os tiros que causaram suas mortes.
O caso ocorreu na Colônia Naranjito, região situada próxima à divisa com Mato Grosso do Sul. A ofensiva deixou três mortos, destruiu completamente a unidade policial e mobiliza autoridades paraguaias na busca pelos responsáveis.
Disparos à curta distância
Responsável pelos exames, o médico-legista Pablo Lemir informou que as lesões encontradas nos corpos são incompatíveis com uma troca de tiros durante a invasão.
Herminio Ojeda González, de 33 anos, sofreu quatro perfurações por arma de fogo. Segundo a perícia, o disparo que provocou sua morte foi efetuado a curta distância, quando ele já não oferecia reação.
A mesma conclusão foi obtida no caso de Atilio Martínez Barrios, de 40 anos. O policial foi atingido por dois tiros, um deles disparado muito próximo ao corpo, circunstância considerada pelos investigadores como indício de execução.
Os dois agentes também apresentavam queimaduras provocadas pelo incêndio que consumiu o prédio. Ainda não há confirmação se eles permaneciam no mesmo local quando o fogo começou ou se os corpos foram deslocados antes.
Já o funcionário civil Josemar Escobar Piris, de 37 anos, terceira vítima da ação criminosa, teria a autópsia realizada nesta quinta-feira (23).
Ataque destruiu unidade policial
A invasão ocorreu na noite de terça-feira (21), quando dezenas de homens armados cercaram o Posto Policial nº 4 de Naranjito.
De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, o grupo utilizou armamento de grosso calibre e artefatos incendiários para incendiar a estrutura, além de viaturas e veículos particulares estacionados no local.
Durante a perícia, foram recolhidas cápsulas de munições dos calibres 5,56 e 7,62, além de cartuchos de espingarda.
Um dos policiais conseguiu sobreviver. Conforme relataram as autoridades, ele escapou após fingir estar morto e se esconder em uma área de mata até conseguir pedir ajuda. Outro agente ficou ferido e permanece internado em Assunção, com quadro considerado estável.
Autoria continua indefinida
As autoridades paraguaias atribuem a ação a um grupo criminoso formado por aproximadamente 20 integrantes, embora testemunhas mencionem que o número de participantes possa ter sido maior.
Relatos apontam ainda que os invasores usavam roupas camufladas semelhantes às de forças militares do país. Até o momento, a Polícia Nacional não confirmou qual organização teria participado da ofensiva, embora a região seja conhecida pela atuação de grupos ligados ao narcotráfico e ao contrabando.
Com informações Gazeta do Povo