Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com os maiores índices de suicídio entre pessoas de 10 a 19 anos. Segundo o Atlas da Violência 2026, a taxa chegou a 7 mortes por 100 mil habitantes em 2024, a terceira maior do país. No mesmo período analisado pelo levantamento, entre 2014 e 2024, o Estado registrou 469 mortes nessa faixa etária e teve aumento de 971,4% na taxa de internações relacionadas a lesões autoprovocadas voluntariamente após tentativas de suicídio.
Os números passaram a integrar a discussão sobre políticas de saúde mental da candidata a deputada federal Cassy Monteiro (PL-MS), que, durante o Setembro Amarelo, defende maior destinação de recursos federais para ações de prevenção e atendimento em Mato Grosso do Sul.
“Não dá pra olhar pra um número como esse e tratar como estatística. É um pedido de socorro de uma geração inteira”, afirma Cassy.
Indígenas têm maior taxa do país
O Atlas da Violência 2026 também aponta uma diferença ainda mais acentuada quando o recorte considera a população indígena. Em 2024, Mato Grosso do Sul registrou taxa de 151,8 suicídios por 100 mil indígenas, a maior entre os estados brasileiros. O índice equivale a cerca de sete vezes a média nacional para essa população, que foi de 20,9 por 100 mil.
Em números absolutos, foram registrados 42 suicídios de indígenas no Estado naquele ano. A taxa, porém, é o indicador utilizado para comparar populações de tamanhos diferentes.
A candidata afirma que a discussão sobre saúde mental precisa alcançar diferentes grupos e regiões, incluindo comunidades indígenas, escolas, municípios do interior e profissionais da segurança pública.
Candidata relaciona atuação profissional à pauta
Formada em Psicologia, Cassy afirma que sua relação com o tema começou antes da campanha eleitoral. Segundo ela, o trabalho voluntário com pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade contribuiu para sua defesa de uma rede de atendimento mais ampla.
“Eu me formei em Psicologia e, antes de qualquer coisa que eu tenha feito na política, o meu trabalho foi esse: sentar na frente de uma pessoa e escutar de verdade. Eu atendi voluntariamente famílias em situações de vulnerabilidade aqui no nosso Estado. Ouvi mães que já não sabiam como seguir, jovens que não conseguiam mais enxergar uma saída e gente que chegava dizendo que estava tudo bem, mas que depois de alguns minutos de conversa simplesmente desabava em choro”, relata.
Para a candidata, os profissionais da segurança pública também precisam ser incluídos nas políticas de atenção à saúde mental. Ela afirma que policiais são submetidos a uma rotina de pressão e, muitas vezes, encontram dificuldades para buscar ajuda.
“São homens e mulheres treinados para proteger, resistir e suportar, mas que muitas vezes não encontram espaço para pedir ajuda”, afirma.
Defesa de mais recursos para prevenção
Cassy defende que os dados sobre suicídio sejam considerados na definição de prioridades e na distribuição de recursos públicos destinados à saúde.
“Não falta diagnóstico sobre a gravidade do problema. Falta prioridade e recurso chegando à ponta. Saúde mental não pode aparecer apenas depois de uma tragédia. Precisamos fortalecer a prevenção e fazer o poder público chegar antes”, afirma.
A candidata também associa a pauta à defesa da vida, uma das bandeiras que apresenta em sua atuação política.
“Eu defendo a vida desde a concepção, mas essa defesa não termina no nascimento. Ela continua na infância, na juventude, na mãe que chegou ao limite e no policial que adoece em silêncio. Defender a vida também é chegar antes”, conclui.
Onde buscar ajuda
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, com atendimento 24 horas por dia e sem custo de ligação. O serviço também disponibiliza atendimento por chat e e-mail.