Tratar varizes deixou de ser sinônimo de cirurgia convencional, cortes e longos períodos de recuperação. Com o avanço das técnicas minimamente invasivas, pacientes com indicação médica podem realizar o procedimento com laser, receber sedação e retornar para casa no mesmo dia, caminhando poucas horas após o tratamento.

A técnica, conhecida como laser endovenoso, é utilizada para fechar a veia comprometida sem a necessidade de retirá-la por meio da cirurgia tradicional. Durante o procedimento, uma fibra é introduzida no interior do vaso e libera calor de forma controlada, promovendo seu fechamento.

Segundo a cirurgiã vascular Marília Lomonaco Galhardo, o método proporciona uma recuperação mais confortável para pacientes selecionados.

"Com o laser endovenoso, conseguimos tratar safenas e varizes sem cortes. A sedação, acompanhada pelo anestesiologista, também ajuda a tornar o procedimento mais confortável e seguro para o paciente."

Varizes vão além da questão estética

Embora muitas pessoas procurem tratamento por causa da aparência das pernas, as varizes representam uma doença da circulação e podem evoluir com o passar dos anos.

Nos estágios iniciais, o problema pode não causar sintomas. Com a progressão da doença, porém, podem surgir dor, sensação de peso nas pernas, inchaço, queimação, coceira e câimbras, além de complicações como tromboflebite, sangramentos, alterações permanentes na pele e úlceras venosas.

Para Marília, a avaliação médica deve ocorrer mesmo quando não há desconforto.

"As varizes nunca são apenas uma questão estética. Elas representam uma doença da circulação que pode estar em diferentes estágios. Por isso, toda pessoa com varizes deve ser avaliada por um cirurgião vascular, mesmo quando ainda não apresenta sintomas."

Entre os fatores associados ao surgimento da doença estão predisposição genética, gravidez, alterações hormonais, envelhecimento, excesso de peso e longos períodos em pé ou sentado.

Sedação torna o procedimento mais confortável

Outro diferencial do tratamento é a possibilidade de realizar o procedimento com sedação associada à anestesia local. A estratégia reduz o desconforto durante a aplicação do laser e ajuda a controlar a ansiedade do paciente.

A anestesiologista Vanessa Antunes da Silva, do Servan Anestesiologia, explica que a sedação reúne três efeitos principais: analgesia, amnésia e hipnose.

"A analgesia reduz ou elimina a dor, a amnésia faz com que o paciente não se recorde dos estímulos ou do próprio procedimento e a hipnose permite que ele permaneça inconsciente, respirando e mantendo suas funções vitais de forma segura e com o máximo de conforto."

Durante todo o atendimento, o anestesiologista acompanha continuamente a respiração, os batimentos cardíacos, a pressão arterial e os demais sinais vitais, garantindo o monitoramento do paciente durante todo o procedimento.

Avaliação médica antecede o tratamento

Antes da sedação, o paciente passa por uma consulta com o anestesiologista para análise do histórico de saúde, uso de medicamentos e necessidade de exames complementares. A etapa também serve para definir orientações individualizadas sobre medicamentos e preparo para o procedimento.

"Essa avaliação prioriza a segurança do paciente e ajuda a evitar que o procedimento precise ser suspenso por alguma condição que poderia ter sido identificada anteriormente", afirma Vanessa.

Após o tratamento, o paciente permanece em observação por algumas horas, recebe alimentação e pode caminhar antes da alta médica. A recomendação é evitar dirigir, operar máquinas, trabalhar ou praticar exercícios físicos no restante do dia, retomando normalmente as atividades no dia seguinte, conforme orientação médica.

A indicação do tratamento com laser e da sedação, entretanto, depende da avaliação conjunta do cirurgião vascular e do anestesiologista, que definirão a técnica mais adequada para cada caso.