A Justiça de Mato Grosso do Sul decretou a prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho (PL), conhecido como Neno Razuk, condenado em primeira instância por crimes investigados no âmbito da Operação Successione. A decisão foi proferida após o ex-parlamentar perder o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), em maio deste ano, em decorrência da retotalização dos votos das eleições de 2022.
O mandado de prisão tramita sob sigilo. Até a publicação desta reportagem, a defesa informou que ainda não havia tido acesso à decisão judicial e, por esse motivo, não se manifestaria sobre o mérito do caso.
Condenação é resultado da Operação Successione
Neno Razuk foi condenado pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão, pelos crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Mesmo após a sentença, ele recorria em liberdade.
Na sentença, o juiz José Henrique Kaster Franco concluiu que as provas reunidas durante a investigação demonstraram a atuação de um grupo estruturado que utilizava armas e violência para disputar o controle da exploração do jogo do bicho em Campo Grande. Segundo a decisão, a organização também contava com o apoio de policiais militares da reserva para intimidar rivais e consolidar sua atuação.
Perda do mandato alterou situação processual
A decretação da prisão ocorre poucas semanas após Neno Razuk deixar o cargo de deputado estadual. A vaga foi perdida em razão da retotalização dos votos do PL determinada pela Justiça Eleitoral, que resultou na mudança da composição da Assembleia Legislativa.
Com o fim do mandato, o ex-parlamentar deixou de contar com a prerrogativa de foro vinculada ao cargo, e seus processos passaram a tramitar na primeira instância da Justiça. A perda do foro, por si só, não determina a prisão, mas altera a competência para julgamento das ações penais.
Investigação apura atuação de organização criminosa
Deflagrada em dezembro de 2023 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação Successione investiga um suposto esquema envolvendo exploração do jogo do bicho, organização criminosa, roubos, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional.
Além da condenação já imposta a Neno Razuk, o ex-deputado também responde a outra ação penal relacionada à quarta fase da operação, realizada em novembro de 2025. Na ocasião, também foram presos o pai dele, Roberto Razuk, e os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, apontados pelo Ministério Público como integrantes do núcleo da organização investigada. Como esses processos ainda estão em andamento, as acusações permanecem sob análise da Justiça.
Durante as fases da operação, foram apreendidas mais de 700 máquinas utilizadas em apostas, armas de fogo, munições, cerca de R$ 270 mil em dinheiro e documentos que, segundo a investigação, indicam movimentações patrimoniais por meio de terceiros para ocultação de bens.