Reduzir apenas a ingestão de calorias pode não ser a melhor estratégia para idosos com obesidade acompanhada de perda de massa muscular, condição conhecida como obesidade sarcopênica. Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) aponta que o tratamento apresenta melhores resultados quando associa restrição calórica, exercícios físicos e suplementação de proteínas, favorecendo não apenas a composição corporal, mas também a saúde cardiovascular e metabólica.
Condição exige tratamento combinado
A obesidade sarcopênica reúne dois fatores que comprometem a saúde dos idosos: o excesso de gordura corporal e a redução da massa e da força muscular. Segundo os pesquisadores, a restrição calórica isolada pode diminuir a gordura, mas também contribuir para a perda adicional de músculos, agravando limitações físicas e aumentando o risco de complicações.
Para avaliar alternativas mais eficazes, a pesquisadora Alice Erwig Leitão, sob orientação do professor Hamilton Roschel, analisou se a suplementação proteica poderia potencializar os efeitos de um programa que combinava dieta com redução de calorias e treinamento físico.
Estudo acompanhou 105 idosos
O ensaio clínico envolveu 105 participantes, homens e mulheres com 65 anos ou mais, diagnosticados com obesidade sarcopênica. Durante 16 semanas, os voluntários foram divididos em três grupos: um grupo controle, outro submetido à dieta e aos exercícios com placebo e um terceiro que recebeu suplementação de proteínas associada às mesmas intervenções.
Ao final do acompanhamento, os pesquisadores observaram que os participantes que receberam proteína apresentaram maior redução de gordura corporal, aumento da massa muscular e melhorias em indicadores como controle da glicemia, função vascular, capacidade cardiorrespiratória e redução da síndrome metabólica.
Exercícios e proteínas ajudam a preservar os músculos
Segundo o estudo, o treinamento físico — especialmente a combinação de musculação com exercícios aeróbicos — desempenha papel importante na preservação e no ganho de massa muscular durante o processo de emagrecimento. A suplementação proteica potencializou esses efeitos, favorecendo a síntese de proteínas e o fortalecimento muscular.
Os autores destacam que intervenções não farmacológicas podem contribuir para um envelhecimento mais saudável ao reduzir fatores de risco associados a doenças cardiovasculares, diabetes e limitações funcionais.
Problema tende a crescer com o envelhecimento da população
A obesidade sarcopênica tem se tornado um desafio crescente para a saúde pública devido ao aumento da população idosa. Além de comprometer a mobilidade e a autonomia, a condição está relacionada a maior incidência de quedas, hospitalizações e mortalidade.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem que o tratamento seja planejado de forma individualizada e inclua acompanhamento nutricional e prática regular de exercícios, evitando que a perda de peso ocorra às custas da redução da massa muscular.
Via Jornal da USP