Um estudo apresentado nesta quinta-feira (6) revelou que o uso do medicamento Trikafta tem proporcionado resultados expressivos no tratamento da fibrose cística entre pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa identificou redução de até 84,8% nas internações hospitalares, além de melhorias em diferentes indicadores clínicos da doença.

Os dados foram divulgados durante evento promovido pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), em Brasília.

Pesquisa acompanhou pacientes em todo o país

O levantamento monitorou, durante um ano, 647 pacientes — entre crianças, adolescentes e adultos — atendidos em 39 centros de referência distribuídos pelo Brasil.

Todos utilizavam a terapia tripla moduladora formada pelos medicamentos elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor, comercializados sob o nome Trikafta.

Além da redução das hospitalizações, os pesquisadores observaram queda de até 91,6% na necessidade de oxigenioterapia domiciliar.

A análise também registrou melhora de 10 a 14 pontos na função pulmonar dos pacientes, redução dos processos inflamatórios e das infecções respiratórias, diminuição de 66,7% no uso de antibióticos sistêmicos e evolução do estado nutricional.

Mais de 2,4 mil pacientes recebem o tratamento pelo SUS

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 2,4 mil pessoas já utilizam o Trikafta na rede pública.

Na rede privada, o medicamento possui alto custo. Uma única caixa custa, em média, R$ 194,5 mil, e o tratamento anual pode chegar a R$ 2,5 milhões por paciente.

O fornecimento pelo SUS ocorre por meio das farmácias de alto custo, mediante prescrição emitida por médico especialista. O tratamento é realizado em casa, com administração por via oral e acompanhamento conforme os protocolos clínicos adotados para cada caso.

Doença afeta principalmente pulmões e sistema digestivo

A fibrose cística é uma doença genética rara e hereditária que provoca alterações na produção do muco, tornando-o mais espesso e dificultando o funcionamento de órgãos como pulmões e sistema digestivo.

Entre os sintomas mais frequentes estão tosse persistente, infecções respiratórias recorrentes, dificuldade na absorção de nutrientes e baixo ganho de peso, exigindo acompanhamento médico contínuo e tratamento especializado.