Antes de vestir as camisas de São Paulo e Grêmio, disputar torneios nacionais e pensar em jogar na Europa ou no Oriente Médio, Robyson Lukas era apenas um garoto que dividia os dias entre uma bola de futsal e outra de campo em Campo Grande. Foi na Capital sul-mato-grossense que começou uma história que o levaria para longe de casa — e que agora pode abrir um novo capítulo fora do Brasil.
Nascido em Recife, Robyson chegou ao futebol pelas escolinhas de Campo Grande. Ainda criança, alternava entre as duas modalidades até chamar atenção nas primeiras avaliações para clubes profissionais.
A oportunidade mudou o rumo da trajetória. O jogador passou a integrar as categorias de base de São Paulo e Grêmio e permaneceu sete anos entre os dois clubes, convivendo com estruturas voltadas à formação de atletas e enfrentando competições que colocaram à prova jogadores de diferentes regiões do país.
Vieram o Campeonato Brasileiro Sub-17, a Copa Nike, a Copa Votorantim, o Efipan e campeonatos estaduais. Mais do que uma sequência de torneios, foi nesse período que Robyson começou a entender o futebol em outro nível.
“São Paulo e Grêmio são clubes de primeira prateleira e reconhecidos pela formação de atletas. Aprendi com grandes profissionais e disputei competições nacionais que me ajudaram a evoluir, entender melhor o jogo e desenvolver meu futebol”, afirma.
Quando a base acaba, começa outra partida
O fim da formação em grandes clubes não significou uma passagem automática para o futebol profissional. Como acontece com muitos jogadores, Robyson precisou construir outro caminho.
O primeiro destino foi o Rio Grande do Sul. Por lá, passou por Monsoon, Guarani de Venâncio Aires e Lajeadense. Em 2024, pelo Monsoon, participou da campanha que terminou com o título da divisão de acesso.
Depois de anos longe, veio a volta para onde tudo começou.
Robyson retornou a Mato Grosso do Sul para defender o Pantanal SAF e, posteriormente, o União ABC, clube que defende atualmente. A mudança teve um componente que vai além das quatro linhas: desta vez, o futebol permitiu que ele jogasse perto de familiares e amigos que acompanharam seus primeiros passos.
O contrato atual termina em 19 de setembro de 2026.
O jogador que aprendeu a ocupar mais de um espaço
Canhoto e com 1,78 metro, Robyson não se prende a uma única função. Pode atuar como meio-campista, segundo volante e lateral esquerdo.
A versatilidade acompanha um estilo baseado em passe, intensidade e participação na construção das jogadas. Ele procura ajudar na recuperação da bola, acelerar a circulação e encontrar os companheiros no setor ofensivo.
É um perfil que foi sendo construído desde a base e ganhou novas características à medida que o jogador passou por diferentes equipes e ambientes do futebol profissional.
Mas, aos 23 anos, a pergunta já não é apenas onde ele pode jogar em campo. É até onde pode chegar.
O próximo campo pode estar longe daqui
Robyson já recebeu sondagens de equipes estrangeiras. As conversas não avançaram, mas serviram para mostrar que a possibilidade de sair do país deixou de ser apenas uma ideia distante.
A Europa aparece como o destino mais desejado, mas não é o único. O Oriente Médio também entrou no radar do jogador, que pretende primeiro se firmar no futebol brasileiro para depois buscar uma oportunidade internacional.
“Quero me destacar no Brasil e depois explorar outros mercados. Todo jogador sonha em atuar na Europa e, comigo, não é diferente, mas também vejo o Oriente Médio como um mercado importante. Posso oferecer muita entrega, qualidade técnica e vontade de crescer. Meu objetivo é acumular jogos e ajudar a equipe com gols e assistências”, ressalta.
Aos 23 anos, ele já percorreu uma distância considerável: saiu das quadras e campos de uma escolinha de Campo Grande, passou por duas das principais categorias de base do país, conheceu o futebol profissional no Sul e voltou a Mato Grosso do Sul.
O que vem depois ainda não está definido. Mas a trajetória ajuda a entender por que o jogador olha para além das fronteiras brasileiras.
Para quem começou com uma bola nos pés em Campo Grande, o próximo passo pode ser simplesmente encontrar um novo lugar no mapa para continuar jogando.