O anúncio da proposta de venda do Consórcio Guaicurus para um grupo empresarial de Goiás não altera, por si só, a expectativa da Câmara Municipal de Campo Grande em relação ao transporte coletivo da Capital. Para os vereadores, qualquer mudança na administração da concessionária precisará ser acompanhada por melhorias concretas para os passageiros, incluindo renovação da frota, modernização do sistema e cumprimento das obrigações previstas no contrato.
O posicionamento do Legislativo foi divulgado após a confirmação de que o município analisa a proposta de aquisição das empresas que integram o consórcio, atualmente sob intervenção administrativa.
CPI apontou falhas e recomendou intervenção
A discussão sobre o futuro do transporte coletivo ganhou força com os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo, instalada pela Câmara no início de 2025.
Depois de meses de apuração, análise de documentos e mais de 50 horas de depoimentos, o colegiado concluiu que houve descumprimentos contratuais relacionados à renovação da frota, manutenção dos ônibus e qualidade da operação.
Entre as recomendações do relatório final estão a substituição imediata de 197 veículos, a intervenção no Consórcio Guaicurus e a possibilidade de declaração de caducidade da concessão. Na sequência, a Prefeitura decretou a intervenção no sistema e passou a avaliar alternativas para o futuro da concessionária.
A CPI foi presidida pelo vereador Dr. Lívio, teve a vereadora Ana Portela como relatora e contou ainda com os vereadores Luiza Ribeiro, Junior Coringa e Maicon Nogueira como membros.
Mudança precisa chegar ao usuário, diz presidente da CPI
Presidente da CPI do Transporte Coletivo e da Comissão Permanente de Transporte e Trânsito, o vereador Dr. Lívio afirmou que a troca de comando da empresa somente fará sentido caso produza resultados percebidos pelos usuários.
"O que realmente importa ao cidadão campo-grandense não é quem opera o sistema, mas a garantia de um transporte público digno, eficiente, seguro e compatível com a importância da nossa Capital", declarou.
Câmara promete manter fiscalização
O presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto (Papy), afirmou que os desdobramentos atuais são consequência das investigações realizadas pelo Legislativo e que o trabalho de fiscalização continuará durante todo o processo.
"A Câmara teve a coragem de enfrentar um problema histórico da cidade, aprofundou a investigação, apresentou soluções e fortaleceu decisões importantes que passaram a ser adotadas pelo Poder Executivo. Nosso compromisso continua sendo fiscalizar para que essa mudança não fique apenas no papel e resulte, de fato, em um transporte melhor para a população", afirmou.
Cobrança continua durante a intervenção
Mesmo com a negociação envolvendo o Consórcio Guaicurus, os vereadores informaram que continuarão acompanhando a intervenção administrativa e cobrando o cumprimento das recomendações apresentadas pela CPI.
Para a Câmara, a eventual venda da concessionária representa mais uma etapa do processo iniciado pelas investigações parlamentares. A avaliação é de que a mudança só será considerada bem-sucedida se os passageiros perceberem avanços na qualidade do serviço, com ônibus mais novos, terminais em melhores condições, maior confiabilidade na operação e respeito aos direitos de quem depende diariamente do transporte coletivo.