O livro “Atirei uma pedrinha na lagoa Mansidão”, do poeta e contista Henrique Pimenta, será o tema do próximo encontro do Clube Sesc de Leitura, neste sábado (26), em Campo Grande. O bate-papo começa às 14h, no foyer do Sesc Teatro Prosa, e tem entrada gratuita.

A participação é aberta a qualquer pessoa interessada em literatura. Não é necessário ter concluído a leitura da obra para acompanhar a conversa.

Publicado como o sexto livro de Henrique Pimenta, “Atirei uma pedrinha na lagoa Mansidão” também encerra a chamada “trilogia do horror urbano” do escritor. As narrativas transitam por situações e personagens de Mato Grosso do Sul, com uma combinação de ironia e dureza ao abordar o cotidiano.

Livro encerra trilogia do autor

Radicado em Campo Grande desde 1995, Henrique Pimenta é mestre em Estudos Literários e tem outros trabalhos reconhecidos na literatura sul-mato-grossense.

Entre eles está “Ele adora a desgraça azul”, publicado em 2016 e vencedor do Prêmio Guavira de Literatura e do Prêmio Leia. Em 2025, lançou “Tríduo rudo”, livro de poemas desenvolvido ao longo de oito anos.

O novo livro também provocou comentários de outros escritores de Mato Grosso do Sul. O contista Eusvaldo da Rocha Neto, de Batayporã, observa que Campo Grande ocupa uma posição central nas histórias, enquanto outros lugares do Estado aparecem como extensões desse universo.

“Nestas histórias, em que o eixo é Campo Grande, MS, e os raios são as demais localidades que giram em torno, encontramos personagens e lugares que extrapolam o recinto do quarto e do apartamento, espaços recorrentes na prosa do meu amigo. Aqui, neste livro, os personagens saem da caverna, para descobrir que a caverna é o mundo e, de certa forma, os limites de sua linguagem. Em termos de contos que incomodam o leitor, Pimenta é, no mínimo, o máximo”, afirma.

O médico, acupunturista e escritor João Francisco Santos da Silva também destaca o tom das narrativas. Para ele, o livro apresenta situações marcadas por conflitos e violência, construídas com ritmo deliberadamente lento e repetição de ações cotidianas.

“Em um cenário de conflitos e violência históricos, o conteúdo é forte, muito forte. A narrativa, com ritmo lento e repetições de ações triviais, quase compulsivas, causa um desconforto que entra em ressonância com o espetáculo horrendo que só os seres humanos são capazes de representar”, diz.

Autor explica escolha pelo conto

Ao falar sobre sua relação com o gênero, Henrique Pimenta recorre à própria imagem presente no título da obra.

“Conto é isso mesmo, uma pedrinha jogada na mansidão do dia a dia. A pedrinha não muda o rumo da água, mas deixa uma série de círculos se espalhando por um bom tempo. Enfim, era esse gesto pequeno, pequeno mas de grande repercussão, que eu queria registrar no meu livro”, explica o escritor.

A conversa do Clube Sesc de Leitura será realizada no foyer do Sesc Teatro Prosa, na Rua Anhanduí, no bairro Amambaí.

Serviço

Evento: Clube Sesc de Leitura
Livro: “Atirei uma pedrinha na lagoa Mansidão”, de Henrique Pimenta
Quando: sábado, 26 de setembro, às 14h
Onde: Foyer do Sesc Teatro Prosa – Rua Anhanduí, 200, Amambaí, Campo Grande
Entrada: gratuita
Participação: aberta ao público; não é necessário ter lido o livro integralmente.