A preservação das tradicionais barracas do distrito de Anhanduí, em Campo Grande, volta à pauta da Câmara Municipal nesta terça-feira (11). Os vereadores devem votar o Projeto de Lei 12.252/26, que propõe o tombamento do conjunto de estabelecimentos instalados às margens da BR-163 como patrimônio cultural do município.
A proposta, de autoria do vereador André Salineiro, pretende reconhecer as barracas como bem de relevante interesse histórico, social, econômico e cultural. A discussão ocorre em meio à preocupação dos comerciantes com possíveis mudanças provocadas pela duplicação da rodovia, já que o comércio local depende diretamente do fluxo de veículos que passa pelo trecho.
As barracas se tornaram uma referência para quem percorre a BR-163 e são conhecidas principalmente pela venda de doces caseiros, conservas, pimentas, artesanato e outros produtos fabricados por famílias da região. Para os comerciantes, além da renda, o espaço representa uma tradição construída ao longo dos anos em Anhanduí.
Caso seja aprovado, o texto determina a inscrição das barracas no Livro de Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico de Campo Grande. O tombamento busca manter as características essenciais do bem cultural e não representa transferência de propriedade, desapropriação ou indenização automática.
A proposta também prevê que o município possa desenvolver ações de valorização cultural, turística e econômica, incluindo políticas de fomento, capacitação e apoio aos trabalhadores locais, conforme a disponibilidade orçamentária.
O projeto já havia sido apresentado anteriormente como uma alternativa para preservar o comércio tradicional diante das discussões sobre a duplicação da BR-163 no trecho de Anhanduí.
Comerciantes temem perder principal fonte de renda
A preocupação com o futuro das barracas foi levada à Câmara durante audiência pública realizada em fevereiro, no distrito. Moradores e comerciantes participaram da discussão sobre os efeitos que as obras de duplicação podem provocar na dinâmica econômica local.
Em depoimento ao Midiamax, em março, moradores expressaram preocupação. A autônoma Sirlei Carvalho, moradora de Fátima do Sul, contou que costuma parar nas barracas quando passa pela região e se posicionou contra uma eventual retirada dos estabelecimentos. Para ela, o comércio já integra a tradição de quem percorre a BR-163.
Entre os comerciantes, o receio também envolve as dívidas e investimentos feitos nos estabelecimentos. Jhonatan Benedito, que comprou uma barraca há dois anos e ainda paga o investimento de forma parcelada, questionou como ficaria a situação dos trabalhadores caso os pontos fossem retirados.
“Se tirarem a gente daqui, como vai ser? Como vai pagar e vai trabalhar com o quê? Aqui já é patrimônio nosso, tem que conservar”, afirmou.
Duplicação ainda passa por estudos
A discussão sobre o futuro das barracas ganhou força com o projeto de duplicação da BR-163. Em audiência pública realizada em 24 de fevereiro, foram debatidas as mudanças que a obra pode provocar no trecho que atravessa Anhanduí.
Em ofício encaminhado durante as discussões, a Motiva Pantanal, concessionária responsável pela rodovia, informou que ainda realizava estudos técnicos e que não havia definição sobre o projeto.
Os comerciantes passaram a buscar alternativas junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), incluindo possíveis alterações no traçado da obra. O tombamento cultural das barracas também entrou entre as propostas apresentadas para preservar a atividade.
Projeto sobre Cordão AVC Estrela também será votado
Além do tombamento das barracas, os vereadores devem analisar em primeira discussão o Projeto de Lei 11.702/25, que institui o uso do “Cordão AVC Estrela” como instrumento auxiliar para identificar pessoas que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC).
De autoria do vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão, a proposta prevê uma faixa estreita de tecido ou material equivalente, na cor azul e com desenhos de estrelas. O cordão poderá ser acompanhado de um crachá com informações definidas pelo próprio usuário ou por seus responsáveis.
Segundo a justificativa do projeto, a identificação pode facilitar o reconhecimento da condição da pessoa e permitir uma resposta mais rápida diante da necessidade de atendimento e outras intervenções.
A sessão ordinária começa às 9h desta terça-feira (11). A população poderá acompanhar os trabalhos presencialmente na Câmara Municipal ou pelas transmissões da TV Câmara, no canal 7.3, e pelo YouTube da Casa de Leis.