Eles não sabem por que foram abandonados, não entendem a violência que sofreram e tampouco podem pedir ajuda com palavras. Mas sentem dor, precisam de cuidados e dependem de pessoas dispostas a não desistir deles. Em Campo Grande, mais de 300 gatos têm na ONG Amicats a chance de viver com proteção e dignidade. Mas a continuidade desse trabalho depende também da solidariedade da população.
Desde 2017, a instituição acolhe felinos vítimas de abandono e maus-tratos. Muitos chegam debilitados, feridos ou doentes e precisam de acompanhamento veterinário para se recuperar. Entre filhotes, adultos e idosos, cada animal exige atenção, alimentação e cuidados específicos. Por trás de cada resgate, existe uma vida que precisa de tempo e recursos para se reerguer.
O problema é que as contas não esperam. A Amicats acumula mais de R$ 10 mil em dívidas com clínicas veterinárias, referentes a consultas, internações e tratamentos. Sem dinheiro suficiente para quitar os débitos, a ONG enfrenta dificuldades para manter a assistência aos animais que já estão sob seus cuidados e atender outros que também precisam de socorro.
“Alguns de nossos gatos estão internados em tratamento contínuo e não podemos interromper os cuidados. As clínicas realizam seu trabalho e precisamos arcar com as despesas e, por isso, precisamos muito da ajuda da população. Seja R$ 1, R$ 10 ou mais. Qualquer valor é essencial para nós. Por trás de cada internação existe um animal que sente dor, precisa de cuidados e depende de nós para ter uma chance de se recuperar”, desabafa a presidente da ONG, Ana Cristina Castro.
Uma dívida que pesa sobre vidas que precisam de cuidado
Para quem está internado, o tratamento não pode ser colocado em espera. Para a instituição, porém, cada atendimento representa uma despesa que precisa ser paga. É nesse impasse que a Amicats busca apoio para continuar cuidando dos gatos resgatados.
Uma doação, mesmo pequena, ajuda a entidade a enfrentar as despesas veterinárias. O objetivo é reunir recursos para quitar os débitos e manter os cuidados de que os animais precisam, sem deixar que a falta de dinheiro se torne mais um obstáculo à recuperação.
A situação também chama atenção para a dimensão do abandono e dos maus-tratos em Mato Grosso do Sul. De janeiro a novembro de 2025, o Estado registrou mais de 18 mil denúncias desse tipo envolvendo animais domésticos, o equivalente a aproximadamente 54 ocorrências por dia, segundo dados da Superintendência de Políticas Integradas de Proteção da Vida Animal (Suprova), com base em números da Delegacia Virtual de Mato Grosso do Sul.
Diante dessa realidade, organizações de proteção animal e protetores independentes assumem uma rotina que exige recursos para alimentação, medicamentos, atendimento veterinário e manutenção dos espaços de acolhimento. Sem uma rede de apoio, esse trabalho fica ainda mais difícil.
Ração, medicamentos e voluntários também são necessários
A ajuda à Amicats não precisa ser exclusivamente financeira. A ONG também recebe doações de ração, medicamentos, caminhas, potes, areia sanitária, cobertores e jornais.
Materiais de limpeza são igualmente necessários para manter o espaço em condições adequadas. Entre os itens solicitados estão baldes, vassouras, rodos, panos de chão, sabão, desinfetantes e água sanitária.
Quem tiver disponibilidade pode contribuir como voluntário nas atividades diárias, ajudando a atender às necessidades dos mais de 300 felinos acolhidos pela instituição.
A Amicats também realiza feiras de adoção ao longo do ano para encontrar famílias dispostas a oferecer um lar seguro e definitivo aos animais. Adotar de forma responsável é outra maneira de ajudar a mudar histórias marcadas pelo abandono.
Como ajudar os gatos da Amicats
A contribuição financeira pode ser feita por PIX, utilizando o CNPJ da instituição. Qualquer valor é bem-vindo, conforme o apelo da presidente.
PIX/CNPJ: 27.806.981/0001-15
Para acompanhar as campanhas, conhecer o trabalho da ONG e obter informações sobre outras formas de colaboração, acesse o Instagram @ongamicats.
Para esses mais de 300 gatos, a ajuda representa mais do que uma contribuição para pagar contas. Significa a possibilidade de continuar recebendo tratamento, alimento e proteção. Significa que, depois de conhecerem o abandono e a violência, eles ainda podem encontrar cuidado — e que não precisam enfrentar essa luta sozinhos.