A dificuldade para preencher vagas e a necessidade de ampliar equipes estão entre os desafios apontados por empresas de Campo Grande diante de uma possível mudança na escala de trabalho. A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) manifesta preocupação com os efeitos econômicos do fim da escala 6x1 e defende que a transição considere as condições de cada setor produtivo.

Em pesquisa realizada pela entidade na Capital, 84,7% das empresas consultadas disseram enfrentar dificuldades para contratar mão de obra. Além disso, 44,8% estimaram que precisarão aumentar o número de funcionários para manter as operações em uma escala 5x2.

Para a associação, os dados indicam que a reorganização das jornadas pode exigir mudanças na estrutura de funcionamento dos negócios, especialmente em empresas com equipes reduzidas e menor capacidade financeira para absorver despesas adicionais.

Comércio aponta risco de aumento de custos

O presidente da ACICG, Omar Aukar, avalia que uma alteração na jornada de trabalho exige análise das consequências para a produtividade, a competitividade e a geração de empregos.

“É mudança estrutural na jornada de trabalho, com impactos diretos sobre a organização das empresas e o funcionamento da economia, isso exige responsabilidade, diálogo e uma avaliação aprofundada de suas consequências. Não se trata apenas de reorganizar escalas, mas de compreender como essa mudança poderá afetar a produtividade, a competitividade dos negócios, os investimentos e a capacidade de geração de empregos”, afirma.

Segundo a entidade, a redução da jornada pode elevar os custos operacionais e exigir novas contratações para manter o atendimento. Em atividades que enfrentam dificuldades para recompor equipes, as empresas também podem precisar rever horários de funcionamento e capacidade de prestação de serviços.

A associação ainda considera a possibilidade de repasse de parte das despesas aos preços cobrados dos consumidores, além de efeitos sobre investimentos e futuras contratações.

“Também existe o risco de que parte desses custos seja repassada aos preços de produtos e serviços, com reflexos para os consumidores, além de possíveis impactos sobre investimentos e novas contratações”, avalia Aukar.

Entidade defende diálogo na regulamentação

A ACICG defende que a regulamentação de eventuais mudanças na jornada seja discutida entre poder público, representantes dos trabalhadores e setor empresarial. A entidade considera necessário levar em conta as diferenças entre atividades econômicas e a capacidade de adaptação de empresas de diferentes portes.

Para a associação, a análise deve contemplar a manutenção dos postos de trabalho, a criação de novas vagas, a sustentabilidade financeira dos negócios e a continuidade dos serviços oferecidos à população.

“É necessário avaliar os impactos sobre a sustentabilidade das empresas, a manutenção e a criação de empregos, a competitividade e a continuidade dos serviços essenciais à população. Melhorar as condições de trabalho é uma pauta relevante, mas essa transformação precisa ser acompanhada de planejamento e de regras que considerem a realidade econômica do país, para que seus efeitos não comprometam a atividade produtiva, os pequenos negócios e a própria sociedade”, conclui o presidente.

A manifestação da entidade ocorre em meio à discussão sobre o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias e descansa um. A proposta de mudança na jornada envolve questões trabalhistas e econômicas que afetam tanto a organização das empresas quanto as condições de trabalho dos profissionais.